Saturday, August 19, 2006

Digestão Peculiar

Quantas analogias à vida já foram feitas? Mas há algo mais confuso, equivocado, policromático? Não sei.. talvez ela seja preta e branca mesmo, e nós que insistimos em olhá-la através de lentes ilusórias que a transformam em colorida e jovial. Faz sentido. Mas deixemos de lado as cores... falemos dos sabores! Vejo o mundo como se pertencesse aos "Mc Colossos", impassíveis ao mormasso da pobreza, por medo de serem dissolvidos em um mar de contrição. A massa de pães de transanteontem se acumula na porta dos fundos, ao lado de um jornal trágico de domingo. Os bolos de três andares cobertos de morangos carmins reluzentes, tão agradáveis de olhar; mas a verdade é que quando cortados pela faca da justiça, se revelam internamente estragados. Mistos quentes são cortados só até o meio, com as fatias dobradas em quatro, mas só na metade aparente, porque depois você aprendeu que na outra metade não tinha nada, era só ilusão... A cobiça e a ignorância servem de fermento para o erro; a convicção e a incerteza, sal e pimenta de um amor sem tempero. O açúcar se esgotou há tempos, nos restaram apenas gotas de um adoçante que disfarça mas não elimina o gosto amargo da realidade.

Metalinguagem?

Não escrevo porque sei. Escrevo porque não sei, nada sei, e sei que nada sei. Escrevo filosofia. Escrevo exagero. Escrevo redundância. Escrevo natureza, caeiro, sou sensacionista. Dou-lhe vida, torno-me metafísico. Um paradoxo! Tudo se contradiz. Escrevo generalização. Escrevo uma exceção. Mudo essa acepção. Rimas imprevistas. Ou planejadas? Sou um fingidor. Escrevo imaginação, ficção, confusão. Fabrico realidade, réplica do concreto, torno-o abstrato. Escrevo fissão, caos, desordem. Escrevo conflito, descrevo o infinito, minha caneta é a borracha que apaga o certo e escreve o incerto. Escrevo vida, sentimento, lembrança, recordo-me do que ainda há de vir, escrevo intuição. Escrevo para ser lida numa tarde de chuva por uma menininha de 7 anos ou por um velhinho de chapéu verde, escrevo para ser lida, ou para não ser lida. Bom... escrevo!